Introdução à Tecnologia Adequada

Em breve novo curso!

Smartphones, Tablets, Google, Apple, Computação nas Nuvens, iOS, Android, Facebook, blogs, Twitter, YouTube…

Às vezes parece que nas nuvens estamos nós, diante de tantas novidades… Não há como escapar das novas tecnologias, que gradativa – e rapidamente – tornam-se mais presentes no nosso cotidiano.

Esta disciplina prático-teórica tem o propósito de discutir, de forma simples e objetiva, o que são essas tecnologias e, principalmente, como podem ser usadas para proveito pessoal e profissional.

A maior motivação para o desenvolvimento deste conteúdo são os resultados pessoais obtidos em termos de melhoria de gestão de informações, otimizando meu tempo e melhorando minha qualidade de vida. Essas estratégias de uso foram adotadas em algumas consultorias, também com ótimos resultados.

Outra motivação é a chatice (peço desculpas aos professores da disciplina, mas também já fui um!) das disciplinas de “Informática Básica” (hardware, software, bit e bytes, como usar o word…) que não levam a lugar nenhum… As pessoas precisam saber usar tecnologias atuais para desempenhar suas atividades – tecnologias adequadas à sua necessidade.

Os cursos de graduação deveriam incluir em sua grade a disciplina de “Introdução à Tecnologia Adequada” – e deixar como cursos de extensão os genéricos “Como usar o Excel” básico, intermediário e avançado. “Introdução à HP 12C” não é matéria de grade curricular – é curso de extensão.

Mesmo para aqueles que conhecem e podem achar triviais algumas aplicações como a portabilidade extrema quando você coloca sua agenda de contatos no Gmail e sincroniza com qualquer telefone (troque ou perca seu telefone quantas vezes quiser!) de forma instantânea; ou quando apenas lança uma nova mensagem no blog e automaticamente ela vai para o Twitter e Facebook, economizando seu tempo!

Todas as discussões serão práticas – o objetivo é que o aluno use a sua própria conta no Google, Twitter e Facebook, seu próprio telefone e, quando terminar o curso, tudo estará funcionando – e claro, fundamentadas a partir de conceitos de modelagem, organização e recuperação de informações.

O uso do Google/Android para as aulas práticas não tem patrocínio (infelizmente!) e serve para ilustrar a teoria. Também é gratuito, e os smartphones Andriod são mais acessíveis financeiramente.

Sistemas de Informação X Sistemas de Informática

Após uma longa fase enigmática, a informática dos mainframes cedeu espaço ao computadores pessoais, e observamos uma mudança radical na integração desse setor com as outras áreas das organizações. Além da mudança no perfil dos profissionais, o desenvolvimento de sistemas in-house passou a ser rapidamente substituído pela compra de pacotes prontos oferecidos pelo mercado.

É claro que ganha-se tempo quando um produto já está “pronto” para ser instalado, e também não é necessário mais um envolvimento com a rotulada “área de informática”. Mas precisamos estar atentos a vários pontos envolvidos na compra desses pacotes. A seguir, buscamos identificar alguns desses pontos: custo muito elevado, geralmente ultrapassando o valor orçado; a manutenção corretiva no horário de trabalho, sem critério padronizado, que, além de depreciar os equipamentos, impacta negativamente o tempo de trabalho dos profissionais que dependem do equipamento; a  falta de segurança no acesso às funções dos sistemas, e também de uma opção estruturada de rastreamento para auditoria; a falta de uma metodologia de desenvolvimento de sistemas, gerando uma miscelânea de formas de acesso e pesquisa, dificultando tanto a manutenção futura quanto a aprendizagem dos usuários; a falta de uma estruturação dos fluxos de informação, que gera retrabalho e duplicidade (ou até mesmo ausência) de informações; a  falta de um gerenciamento efetivo das demandas e de uma escala de prioridades para atendimento.

A maioria desses problemas pode ser inserida em um paradigma orientado para Sistemas de Informática, no qual nem todo o processo de geração das informações é automatizado. Dessa forma, fica difícil até mesmo mensurar o custo real da área de Tecnologia da Informação, caso os problemas acima sejam considerados.

Vinculada às Diretrizes estabelecidas no Planejamento Estratégico, uma Política de Tecnologia da Informação pode contribuir imensamente no controle dos custos citados anteriormente, ao definir diretrizes para a compra de equipamentos e softwares, contratos com terceiros, padronização, segurança e capacitação, entre outros.

Principalmente pela aderência em relação ao Planejamento Estratégico, essa Política pode auxiliar na constituição e manutenção de um novo paradigma: a adequação da Tecnologia da Informação às necessidades da organização. Por exemplo, podemos citar alguns sistemas integrados de informática que contribuem para a otimização de processos internos, o que reduz custos e afeta diretamente a composição do preço final dos produtos e serviços da empresa, diferencial importante em um ambiente competitivo. Mas essa redução de custos é possível para qualquer empresa que possua o pacote. Novamente, a forma de exploração das informações desses pacotes, e não somente os sistemas de informática, pode ser o diferencial competitivo.

Dessa forma, a informática (Tecnologia da Informação) é uma ferramenta de suporte aos sistemas de informação, permitindo a otimização de certos processos pertinentes a esses sistemas. Um dos grandes diferenciais competitivos desses sistemas consiste no desenvolvimento de uma base de informações integradas e na exploração criativa e única de cada empresa sobre essa base. A informação, sob essa ótica, pode ser considerada um recurso crítico para o sucesso, e sua estruturação é o grande desafio para que as empresas possam sobreviver no ambiente globalizado.

Como exemplo, podemos citar o Datawarehouse e o Datamining, tecnologias aprimoradas para o tratamento de um grande volume de informações (Terabytes). Elas dependem não somente das informações armazenadas, mas também da confiabilidade dos processos que geraram essas informações e da capacidade de análise das informação, que envolve, entre outros, o conhecimento sistêmico do negócio da empresa. Nesse contexto, os sistemas de informação ampliam a dimensão técnica dos sistemas de informática ao agregarem o componente humano e as informações tácitas envolvidas no processo, interligando elementos do Planejamento Estratégico e da Inteligência Competitiva, entre outros.

Assim, o grande desafio consiste na integração dos sistemas de informática, compatibilizando as informações desses sistemas (em conteúdo e semântica) e permitindo sua exploração de forma criativa, única para cada empresa. Todo o processo de captação, compatibilização e exploração dessas informações, bem como sua análise e disseminação, são aspectos fundamentais de sistemas de informação (que utilizam sistemas de informática como suporte).

Uma tese é uma tese

Autor: Mário Prata

Publicado no jornal O Estado de São Paulo, Caderno 2, 07/10/1998.

“Sabe tese, de faculdade? Aquela que defendem? Com unhas e dentes? É dessa tese que eu estou falando. Você deve conhecer pelo menos uma pessoa que já defendeu uma tese. Ou esteja defendendo. Sim, uma tese é defendida. Ela é feita para ser atacada pela banca, que são aquelas pessoas que gostam de botar banca.

As teses são todas maravilhosas. Em tese. Você acompanha uma pessoa meses, anos, séculos, defendendo uma tese. Palpitantes assuntos. Tem tese que não acaba nunca, que acompanha o elemento para a velhice. Tem até teses pós-morte.

O mais interessante na tese é que, quando nos contam, são maravilhosas, intrigantes. A gente fica curiosa, acompanha o sofrimento do autor, anos a fio. Aí ele publica, te dá uma cópia e é sempre – sempre – uma decepção. Em tese. Impossível ler uma tese de cabo a rabo. São chatíssimas. É uma pena que as teses sejam escritas apenas para o julgamento da banca circunspecta, sisuda e compenetrada em si mesma. E nós?

Sim, porque os assuntos, já disse, são maravilhosos, cativantes, as pessoas são inteligentíssimas. Temas do arco-da-velha. Mas toda tese fica no rodapé da história. Pra que tanto sic e tanto apud? Sic me lembra o Pasquim e apud não parece candidato do PFL para vereador? Apud Neto.

Escrever uma tese é quase um voto de pobreza que a pessoa se autodecreta. O mundo pára, o dinheiro entra apertado, os filhos são abandonados, o marido que se vire. Estou acabando a tese. Essa frase significa que a pessoa vai sair do mundo. Não por alguns dias, mas anos. Tem gente que nunca mais volta.

E, depois de terminada a tese, tem a revisão da tese, depois tem a defesa da tese. E, depois da defesa, tem a publicação. E, é claro, intelectual que se preze, logo em seguida embarca noutra tese. São os profissionais, em tese. O pior é quando convidam a gente para assistir à defesa. Meu Deus, que sono. Não em tese, na prática mesmo.

Orientados e orientandos (que nomes atuais!) são unânimes em afirmar que toda tese tem de ser – tem de ser! – daquele jeito. É pra não entender, mesmo. Tem de ser formatada assim. Que na Sorbonne é assim, que em Coimbra também. Na Sorbonne, desde 1257. Em Coimbra, mais moderna, desde 1290. Em tese (e na prática) são 700 anos de muita tese e pouca prática.

Acho que, nas teses, tinha de ter uma norma em que, além da tese, o elemento teria de fazer também uma tesão (tese grande). Ou seja, uma versão para nós, pobres teóricos ignorantes que não votamos no Apud Neto.

Ou seja, o elemento (ou a elementa) passa a vida a estudar um assunto que nos interessa e nada. Pra quê? Pra virar mestre, doutor? E daí? Se ele estudou tanto aquilo, acho impossível que ele não queira que a gente saiba a que conclusões chegou. Mas jamais saberemos onde fica o bicho da goiaba quando não é tempo de goiaba. No bolso do Apud Neto?

Tem gente que vai para os Estados Unidos, para a Europa, para terminar a tese. Vão lá nas fontes. Descobrem maravilhas. E a gente não fica sabendo de nada. Só aqueles sisudos da banca. E o cara dá logo um dez com louvor. Louvor para quem? Que exaltação, que encômio é isso?

E tem mais: as bolsas para os que defendem as teses são uma pobreza. Tem viagens, compra de livros caros, horas na Internet da vida, separações, pensão para os filhos que a mulher levou embora. É, defender uma tese é mesmo um voto de pobreza, já diria São Francisco de Assis. Em tese.

Tenho um casal de amigos que há uns dez anos prepara suas teses. Cada um, uma. Dia desses a filha, de 10 anos, no café da manhã, ameaçou:

– Não vou mais estudar! Não vou mais na escola.

Os dois pararam – momentaneamente – de pensar nas teses.

– O quê? Pirou?

– Quero estudar mais, não. Olha vocês dois. Não fazem mais nada na vida. É só a tese, a tese, a tese. Não pode comprar bicicleta por causa da tese. A gente não pode ir para a praia por causa da tese. Tudo é pra quando acabar a tese. Até trocar o pano do sofá. Se eu estudar vou acabar numa tese. Quero estudar mais, não. Não me deixam nem mexer mais no computador. Vocês acham mesmo que eu vou deletar a tese de vocês?

Pensando bem, até que não é uma má idéia!

Quando é que alguém vai ter a prática idéia de escrever uma tese sobre a tese? Ou uma outra sobre a vida nos rodapés da história?

Acho que seria uma tesão.”

Desiderata

Autor: Max Ehrmann

“Siga placidamente por entre o ruído e a pressa, e lembre-se da paz que pode haver no silêncio. Esteja em boas relações com todas as pessoas, se possível, mas sem abdicar de sua personalidade.

Fale a sua verdade clara e serenamente; e ouça os demais, mesmo os tolos e ignorantes que também eles têm a sua história.

Evite as pessoas agressivas e gritantes, que são um peso para o espírito.

Se você se comparar com os outros, você se tornará presunçoso ou deprimido, pois sempre existirão pessoas melhores e piores do que você.

Vibre com as suas realizações e também com os seus planos. Tenha interesse na sua profissão, não importa quão humilde. Ela é um patrimônio concreto em meio as mudanças de fortuna que o tempo traz.

Seja cauteloso em seus negócios, pois o mundo está cheio de malícias. Mas que isto não o cegue para a virtude que existe. Muitos lutam por ideais elevados e por toda a parte a vida está cheia de heroísmo.

Seja você mesmo. Principalmente, não seja fingido em matéria de afeição. Nem seja cínico em relação ao amor, pois mesmo em face de toda aridez e todo desencanto, ele é eterno como a vida.

Acumule com vontade o passar dos anos, despindo-se com serenidade das coisas da juventude. Acumule fortaleza de espírito para defender-se das infelicidades súbitas. Mas não se desgaste com frutos da imaginação.

Muitos temores nascem do cansaço e da solidão. Além de uma disciplina integral, seja gentil com você mesmo.

Você é um filho do universo, tanto como as árvores e as estrelas. É um direito seu estar aqui. E, pareça-lhe ou não evidente, o universo está, sem nenhuma dúvida, evoluindo conforme deveria.

Portanto, esteja em paz com Deus. Qualquer que seja a concepção que você tenha dele e quaisquer que sejam os seus trabalhos e aspirações.

Mantenha-se em paz com sua alma, em meio ao tumulto da vida.

Com toda a falsidade, tédio e sonhos despedaçados, ainda assim o mundo é belo.

Seja cuidadoso e procure ser feliz!”

http://pt.wikipedia.org/wiki/Max_Ehrmann#Em_portugu.C3.AAs

Uma pedra atrás do portão: minha última ida a São Paulo

Riccio, Nair, Asa, Nelma e tantos outros paulistanos que sempre nos receberam tão bem na FEA-USP: não levem a mal, o que relato é uma incompatibilidade minha com a cidade…

Preocupado com a chuva de sexta-feira, saí da USP às 15:30 em um táxi rumo ao Aeroporto de Guarulhos para pegar meu voo de 19:50. Cheguei em casa agora, 23:45. Relato a seguir as aventuras deste trajeto.

O motorista do táxi estava animado, me disse que com 50, 60 minutos chegaríamos se tudo estivesse tranquilo. Parece que ele não era de lá: São Paulo tranquila numa sexta a tarde com chuva????

Até o Terminal do Tietê seriam 25 minutos – gastamos 2 horas… E mais 2 para o Aeroporto – cheguei às 19:40, já finalizando o embarque… Uma viagem a mais, não programada a princípio, tomando mais tempo que o voo até BH e o mesmo valor: R$ 160,00…

Mas no caminho aprendi muita coisa: vi que o paulistano carrega um urinol (na verdade uma garrafa plástica…). No meio da chuva parou um carro ao lado do táxi, abriu o vidro e despejou o conteúdo (amarelo) de uma garrafa de 600ml de coca-cola – achei complicado, mas ou boa parte do conteúdo ficou dentro do carro na hora de encher a garrafa, ou o cara deve fazer muita raiva na namorada… Fato é que ver aquilo fez meu diurético fazer mais efeito – só que o táxi não tem a tal garrafa para o passageiro (a R$ 160,00 deveria ter direito, não?). O diurético é associado a outro comprimido para baixar a pressão – e por incrível que pareça eu ainda estava zen.

Descobri também que deve existir um projeto de lei para mudar o nome daquela avenida – de Ayrton Senna para Rubens Barrichello. Faz mais sentido. Se não tem o tal projeto, seria uma boa proposta…

Durante a viagem até o aeroporto, o tempo inteiro uma rádio passava informações sobre o trânsito. “Agora 560 Km de congestionamento”. Ouvi diversos valores entre 430 e 620… E pessoas que ligavam pedindo informações sobre qual a melhor opção de ir de A para B. Às 16:30 uma mãe disse que precisava estar na escola da filhinha até as 18hs: “impossível!” retrucou o repórter.

Quase chegando ao Aeroporto – leia-se: faltando 5Km = 1 hora – nossa pista central ficou liberada e a lateral toda parada. Foi um prazer incomensurável olhar para a fila ao lado e passar direto: aquilo foi um viagra tripla potência. Antes do clímax, entretanto, nossa fila parou e a outra começou a andar, e depois correr… Nunca pensei que viagra tripla potência tivesse o efeito cortado tão rápido…

Na viagem para o aeroporto, acabou a bateria do celular (a dependência é tão grande que parece que um pedaço do corpo foi arrancado) e eu não tinha avisado ninguém do horário do voo. Cheguei ao aeroporto em cima da hora, e consegui uma tentativa de ligação a cobrar, mas não tinha ninguém em casa. Peguei o voo tranquilo, porque sabia que não ia ter trânsito até BH.

Chegando a BH, o ônibus sairia em 1 minuto, e o próximo só dali a 40 minutos. Não deu tempo de ligar de novo (o celular sem bateria…). E eu ainda zen…

No caminho fui pensando que voltar a BH era bom, sem aquele trânsito doentio. Desci do ônibus e procurei um telefone público, sem sucesso. Peguei o táxi para a casa dos meus pais que fica a 10 minutos dali – onde pegaria meu carro para finalmente ir para casa. Mas o dia não tinha acabado… O táxi levou 30 minutos para chegar lá. No caminho pedi o telefone do taxista emprestado, mas a bateria acabou quando eu disquei o segundo número. E eu ainda zen…

Ao tocar o interfone, minha mãe havia desligado o mesmo. Tive de andar uns 50 metros – com mala e cuia – até um telefone público, mas não consegui discar. Como sempre uso o celular – aquele pedaço do corpo que estava faltando naquele momento – nem me lembrava de como fazer ligação a cobrar, e não tinha a mínima chance de enxergar as instruções (a lanterna do celular estava sem bateria). Naquele momento uma EcoSport parou do meu lado – havia acabado a gasolina, e o mostrador do carro não estava funcionando. Pensei na hora: isso pega!

Quando finalmente consegui falar com minha mãe, ela abriu o portão. Até ali eu estava zen, e impressionado como tinha conseguido passar por aquilo tudo sem qualquer risco de raiva ou pressão alta. Pensei em ficar um tempo ali, comer alguma coisa e sair mais tarde para que o trânsito melhorasse. Mas na hora de abrir o portão havia uma pedra atrás dele. Uma brita que fica no estacionamento e algum carro deve ter jogado lá. O portão não abria… Toquei o interfone para pedir que alguém fosse lá, mas estava desligado.

Convenhamos: nem Buda… 23:20 (não sei ao certo porque o celular estava desligado) chutei o portão e fui para o carro. Minha mãe perguntou: onde o senhor estava que não podia nem ligar? A pressão pulou – isso mesmo, ela não subiu, pulou direto – para 20 x 19 ou algo parecido…

Uma coisa eu aprendi: São Paulo não é para mim. Se precisar ir para lá em caso de vida ou morte, acho que ainda vou pensar…