{"id":1056,"date":"2012-08-12T01:17:57","date_gmt":"2012-08-12T03:17:57","guid":{"rendered":"http:\/\/cmca.srv.br\/blogmax\/?p=1056"},"modified":"2014-01-21T14:44:07","modified_gmt":"2014-01-21T16:44:07","slug":"a-interdisciplinaridade-e-a-ciencia-da-informacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/max.pro.br\/?p=1056","title":{"rendered":"A Interdisciplinaridade e a Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><strong>\u201cTrabalho apresentado \u00e0 disciplina Fundamentos Te\u00f3ricos da Informa\u00e7\u00e3o do Curso de Mestrado em Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o sob a orienta\u00e7\u00e3o da Professora \u00cdsis Paim\u201d. Autores: Carlos Ribas, <a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=K4707500T1\" target=\"_blank\">Cl\u00e1udio Paix\u00e3o<\/a>, <a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=N554513\" target=\"_blank\">Humberto Torres<\/a> e <\/strong><strong>Max Cirino de Mattos. 1996.<\/strong><\/p>\n<p>Optamos aqui por falar de uma rela\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de uma apropria\u00e7\u00e3o. Uma vez que a partir do advento das novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o a maneira de se lidar com a informa\u00e7\u00e3o deixa de ser linear (a mensagem que entra no sistema \u00e9 a mesma que sai) para ser muito mais interativa (criando a capacidade de modificar e criar novas mensagens dentro do sistema), conforme exp\u00f5e STEVENS (1986), estamos hoje cada vez mais distantes de posicionamentos centralizadores como o exposto por BRAND\u00c3O (1982) que propunha a \u201cInterdisciplinaridade da Biblioteconomia\u201d. Falar de Interdisciplinaridade como posse de uma determinada ci\u00eancia ou arte \u00e9 muito arriscado uma vez que essa faculdade \u00e9 hoje buscada e constru\u00edda a partir da intera\u00e7\u00e3o de profissionais das mais diversas \u00e1reas em, suposta, igualdade de condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No comum das reflex\u00f5es pensa-se interdisciplinaridade pelo menos de duas maneiras:<\/p>\n<p>1. ou como a tentativa de agregar a uma ci\u00eancia os conceitos e valores de outras, tentando us\u00e1-las como artif\u00edcios para o desenvolvimento dela pr\u00f3pria (dessa forma n\u00e3o se cria uma interdisciplinaridade, e sim se tenta criar uma CI\u00caNCIA INTERDISCIPLINAR, totalit\u00e1ria e burocr\u00e1tica que n\u00e3o consegue se movimentar com leveza em nenhum dos campos a que se disp\u00f5e);<\/p>\n<p>2. ou como a elabora\u00e7\u00e3o de um pressuposto comum a um conjunto de disciplinas conexas como forma de coordenar os esfor\u00e7os em todos os n\u00edveis (essa \u00e2nsia por coordena\u00e7\u00e3o e m\u00e9todo implica numa padroniza\u00e7\u00e3o &#8211; cartesiana e t\u00edpica da era moderna &#8211; que pode resultar na cria\u00e7\u00e3o do fantasma da exist\u00eancia de uma Megaci\u00eancia organizadora, uma nova \u201cPansofia\u201d como a proposta por Comenius no s\u00e9culo XVII).<\/p>\n<p>A posse dos conte\u00fados de uma ci\u00eancia por outra n\u00e3o garante a interdisciplinaridade dessa ci\u00eancia, garante apenas instrumental de trabalho. N\u00e3o existe a interdisciplinaridade DE uma ci\u00eancia e sim um objeto que deve ser tratado interdisciplinarmente.<\/p>\n<p>O caminho interdisciplinar \u00e9 uma infovia que percorre o espa\u00e7o situado entre as ci\u00eancias. Pensando dessa forma, n\u00e3o existe INTERDISCIPLINARIDADE; e, somente por que ela n\u00e3o existe \u00e9 que pode existir um trabalho interdisciplinar onde a interdisciplinaridade possa penetrar na ci\u00eancia, mas a ci\u00eancia n\u00e3o pretenda possuir a interdisciplinaridade. Esse racioc\u00ednio lembra um dos versos da m\u00fasica Git\u00e3 bastante popular na d\u00e9cada de setenta e conhecida at\u00e9 hoje<em>: \u201cMas saiba que eu estou em voc\u00ea, mas voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 em mim<\/em>&#8230;\u201d. Essa frase foi na realidade extra\u00edda do Bhagavad-Git\u00e3 obra cl\u00e1ssica da filosofia V\u00e9dica da antiga \u00cdndia e foi citada por Raul Seixas numa tentativa de mostrar a real dimens\u00e3o do homem diante de uma realidade \u00faltima e muito maior.<\/p>\n<p>Cada disciplina tem como justificativa para sua exist\u00eancia ter sido criada pela necessidade que o homem tem de abordar um \u201cobjeto\u201d que tem sua condi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica determinada por um n\u00famero de vari\u00e1veis que beira o infinito.<\/p>\n<p>\u00c9 a tentativa de captar uma determinada caracter\u00edstica de um \u201cobjeto\u201d, num determinado foco e num tempo e espa\u00e7o determinado que podemos denominar disciplina. Disciplina \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o subjetiva (pelo menos se considerarmos a totalidade do objeto).<\/p>\n<p>A Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o surgiu das necessidades desencadeadas pelo extraordin\u00e1rio progresso alcan\u00e7ado pelas ci\u00eancias no nosso s\u00e9culo. O gigantesco aumento no volume de registros (nas mais diversas formas de suporte) obrigou uma metamorfose na Documenta\u00e7\u00e3o e na recupera\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o. Ao incorporar objetivos e conceitos de v\u00e1rias ci\u00eancias a Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o adquire, hipoteticamente, uma vantagem. Essa \u201cvantagem\u201d s\u00f3 \u00e9 hipot\u00e9tica porque, uma vez que como o nascimento da C.I. \u00e9 extremamente recente, sua hist\u00f3ria ainda \u00e9 ,em parte, a hist\u00f3ria das disciplinas que a influenciaram. Essa heran\u00e7a traz benef\u00edcios, por\u00e9m tamb\u00e9m comporta em seus gens uma s\u00e9rie de v\u00edcios (um exemplo destes seriam certas atitudes totalizadoras).<\/p>\n<p>Existe na g\u00eanese da Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o uma vantagem que somente as \u00e1reas novas tem a possibilidade de desfrutar: a sua fundamenta\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica ainda n\u00e3o encontrou sua estrutura\u00e7\u00e3o definitiva. Ainda \u00e9 tempo de se livrar dos v\u00edcios de suas antecessoras e mais, a op\u00e7\u00e3o de um trabalho interdisciplinar descortina todo um universo de possibilidades: da troca de conhecimentos ao aprendizado a partir dos enganos e acertos de outros campos das ci\u00eancias.<\/p>\n<p>Para que a Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o possa atingir realmente o patamar do real trabalho interdisciplinar \u00e9 importante que se compreenda as reais implica\u00e7\u00f5es de dois conceitos: disciplina e objeto.<\/p>\n<p>Na concep\u00e7\u00e3o original da palavra, disciplina \u00e9, al\u00e9m das vis\u00f5es j\u00e1 estudadas, tamb\u00e9m, uma norma moralizante e o ato de se seguir a norma (sendo ent\u00e3o atrelado, inseparavelmente, \u00e0 no\u00e7\u00e3o de paradigma). Esse conceito merece ser notado e anotado.<\/p>\n<p>O objeto em sua complexidade \u00e9 uma \u201ctotalidade ca\u00f3tica\u201d que para ser alcan\u00e7ada como um todo necessita de um <em>aprouch<\/em> dial\u00e9tico que n\u00e3o priorize as diversas categorias em que ele foi taxiomizado mas, pelo contr\u00e1rio, trafegue nos espa\u00e7os entre essas classifica\u00e7\u00f5es e onde os saberes tradicionais n\u00e3o alcan\u00e7am.<\/p>\n<p><a title=\"Interdisciplinaridade e CI\" href=\"_arquivos\/1996-Interdisciplinaridade_CI.pdf\" target=\"_blank\">Trabalho completo<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cTrabalho apresentado \u00e0 disciplina Fundamentos Te\u00f3ricos da Informa\u00e7\u00e3o do Curso de Mestrado em Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o sob a orienta\u00e7\u00e3o da &hellip; <span class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/max.pro.br\/?p=1056\">Continue Reading<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-1056","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciencia-da-informacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/max.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1056","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/max.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/max.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/max.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/max.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1056"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/max.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1056\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1951,"href":"https:\/\/max.pro.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1056\/revisions\/1951"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/max.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1056"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/max.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1056"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/max.pro.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1056"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}