{"id":281,"date":"2012-06-21T12:37:03","date_gmt":"2012-06-21T14:37:03","guid":{"rendered":"http:\/\/cmca.srv.br\/blogmax\/?p=281"},"modified":"2012-07-11T17:15:59","modified_gmt":"2012-07-11T19:15:59","slug":"voce-e-hands-on-max-gehringer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/max.pro.br\/?p=281","title":{"rendered":"Voc\u00ea \u00e9 hands on?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Autor<\/strong>: Max Gehringer<\/p>\n<p>&#8220;Vi um an\u00fancio de emprego. A vaga era de gestor de atendimento interno, nome que agora se d\u00e1 \u00e0 se\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os gerais. E a empresa exigia que os interessados possu\u00edssem &#8211; sem contar a forma\u00e7\u00e3o superior &#8211; lideran\u00e7a, criatividade, energia, ambi\u00e7\u00e3o, conhecimentos de inform\u00e1tica, flu\u00eancia em ingl\u00eas e n\u00e3o bastasse tudo isso, ainda fossem hands on.<\/p>\n<p>Para o felizardo que conseguisse convencer o entrevistador de que possu\u00eda essa variada gama de habilidades, o sal\u00e1rio era um assombro: 800 reais. Ou seja, um pitico. N\u00e3o que esse fosse algum exemplo fora da realidade. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 quase o paradigma dos an\u00fancios de emprego. A abund\u00e2ncia de candidatos permite que as empresas levantem cada vez mais a altura da barra que o postulante ter\u00e1 de saltar para ser admitido. E muitos, de fato, saltam. E se empolgam. E a\u00ed v\u00eam as agruras da super-qualifica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma esp\u00e9cie do lado avesso do efeito pitico&#8230;<\/p>\n<p>Vamos supor que, ap\u00f3s uma dur\u00edssima competi\u00e7\u00e3o com outros candidatos t\u00e3o bem preparados quanto ela, a Fabiana conseguisse ser admitida como gestora de atendimento interno. E um de seus primeiros clientes fosse o seu Borges, Gerente da Contabilidade.<\/p>\n<p>\u2013 Fabiana, eu quero tr\u00eas c\u00f3pias deste relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u2013 In a hurry!<\/p>\n<p>\u2013 Sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, isso quer dizer &#8220;bem rapidinho&#8221;. \u00c9 que eu tenho flu\u00eancia em ingl\u00eas. Ali\u00e1s, desculpe perguntar, mas por que a empresa exige flu\u00eancia em ingl\u00eas se aqui s\u00f3 se fala portugu\u00eas?<\/p>\n<p>\u2013 E eu sei l\u00e1? D\u00e1 para voc\u00ea tirar logo as c\u00f3pias?<\/p>\n<p>\u2013 O senhor n\u00e3o prefere que eu digitalize o relat\u00f3rio? Porque eu tenho profundos conhecimentos de inform\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u2013 N\u00e3o, n\u00e3o. C\u00f3pias normais mesmo.<\/p>\n<p>\u2013 Certo. Mas eu n\u00e3o poderia deixar de mencionar minha criatividade. Eu j\u00e1 comecei a desenvolver um projeto pessoal visando eliminar 30% das c\u00f3pias que tiramos.<\/p>\n<p>\u2013 Fabiana, desse jeito n\u00e3o vai dar!<\/p>\n<p>\u2013 E eu n\u00e3o sei? Preciso urgentemente de uma auxiliar.<\/p>\n<p>\u2013 Como assim?<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 que eu sou l\u00edder, e n\u00e3o tenho ningu\u00e9m para liderar. E considero isso um desperd\u00edcio do meu potencial energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>\u2013 Olha, neste momento, eu s\u00f3 preciso das tr\u00eas c\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>\u2013 Com certeza. Mas antes vamos discutir meu futuro&#8230;<\/p>\n<p>\u2013 Futuro? Que futuro?<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 que eu sou ambiciosa. J\u00e1 faz dois dias que eu estou aqui e ainda n\u00e3o aconteceu nada.<\/p>\n<p>\u2013 Fabiana, eu estou aqui h\u00e1 18 anos e tamb\u00e9m n\u00e3o me aconteceu nada!<\/p>\n<p>\u2013 Sei. Mas o senhor \u00e9 hands on?<\/p>\n<p>\u2013 H\u00e3?<\/p>\n<p>\u2013 Hands on. M\u00e3o na massa.<\/p>\n<p>\u2013 Claro que sou!<\/p>\n<p>\u2013 Ent\u00e3o o senhor mesmo tira as c\u00f3pias. E agora com licen\u00e7a que eu vou sair por a\u00ed explorando minhas potencialidades. Foi o que me prometeram quando eu fui contratada.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o mercado de trabalho est\u00e1 ficando dividido em duas fac\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>1 \u2013 Uma, cada vez maior, \u00e9 a dos que n\u00e3o conseguem boas vagas porque n\u00e3o t\u00eam as qualifica\u00e7\u00f5es requeridas.<\/p>\n<p>2 \u2013 E o outro grupo, pequeno, mas crescente, \u00e9 o dos que s\u00e3o admitidos porque possuem todas as compet\u00eancias exigidas nos an\u00fancios, mas n\u00e3o poder\u00e3o usar nem metade delas, porque, no fundo, a fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisava delas.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m ponderar\u00e1 &#8211; com justa raz\u00e3o &#8211; que a empresa est\u00e1 de olho no longo prazo: sendo portador de tantos talentos, o funcion\u00e1rio poder\u00e1 ir sendo preparado para assumir responsabilidades cada vez maiores. Em uma empresa em que trabalhei, n\u00f3s ca\u00edmos nessa armadilha. Admitimos um mont\u00e3o de gente superqualificada. E as conversas ficaram de t\u00e3o alto n\u00edvel que um visitante desavisado confundiria nossa salinha do caf\u00e9 com a Funda\u00e7\u00e3o Alfred Nobel.<\/p>\n<p>Pessoas superqualificadas n\u00e3o resolvem simples problemas!<\/p>\n<p>Um dia um grupo de marketing e finan\u00e7as foi visitar uma de nossas f\u00e1bricas e no meio da estrada, a van da empresa pifou. Como isso foi antes do advento do milagre do celular, o jeito era confiar no especialista, o Cleto, motorista da van. E a\u00ed todos descobriram que o Cleto falava ingl\u00eas, tinha inform\u00e1tica e energia e criatividade e estava fazendo p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que n\u00e3o sabia nem abrir o cap\u00f4. Duas horas depois, quando o pessoal ainda estava tentando destrinchar o manual do propriet\u00e1rio, passou um sujeito de bicicleta. Para horror de todos ele falava &#8220;n\u00f3is vai&#8221; e coisas do g\u00eanero.<\/p>\n<p>Mas, em 2 minutos, para espanto geral, botou a van para funcionar. Deram-lhe uns trocados, e ele foi embora feliz da vida. Aquele ciclista an\u00f4nimo era o prot\u00f3tipo do funcion\u00e1rio para quem as Empresas modernas torcem o nariz: o que \u00e9 capaz de resolver, mas n\u00e3o de Impressionar.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor: Max Gehringer &#8220;Vi um an\u00fancio de emprego. 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